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Diario de um ApocalipseAutor: Ed Angelis

Oferenda a Iemanjá

Todos os anos, no dia de Iemanjá, a praia do Francês se enche de pessoas de branco fazendo suas oferendas a Iemanjá; no meu estado, essa cultura não é comum. Eu era recém-chegado na praia, e achei aquilo uma novidade bem interessante.

No final de um desses dias, estava caminhando pela praia no final da tarde, vi ao longe uma cesta na areia; tinha sido uma oferenda que o mar havia devolvido. Caminhei até a cesta pra ver seu conteúdo: lá havia um sabonete, uma colônia, algumas flores, e os itens mais interessantes — uma boneca adulta, estilo Barbie, e 7 velas pequenas.

Achei que seria um descaso deixar aquela cesta lá poluindo o ambiente; além do que, poderia fazer bom uso do sabonete e da colônia. Levei então a cesta, e aceitei como sendo presente de Iemanjá a mim.

O sabonete e a colônia teriam uso; fiquei então me perguntando o que fazer com a boneca e as velas. Tava realmente precisando de uma namorada — será que era esse o intuito da boneca feminina adulta? Resolvi lançar minha sorte e ver no que dava: todos os dias, então, eu acendia uma vela antes de dormir.

No final dos 7 dias, coincidência ou não, minha vida amorosa deu uma ascendida: num período de muito pouco tempo, tive 4 micro-relações, com meninas que estavam de passagem por ali.

O verão estava em pleno vapor e a cidade lotada, levei uma moça de São Paulo para mergulhar, ela estava viajando sozinha e estava hospedada próximo de onde eu morava, e acabamos combinando de nos encontrarmos a noite, foi uma passagem bem rápida de apenas um final de semana, mas ela era muito legal e ainda conversamos bastante online mesmo depois que ela foi embora.

Poucos dias depois conheci outra moça de São Paulo, muito divertida e brincalhona, parecia uma criança na Disney de tão alegre, ela viajava com a amiga, e estava hospedada em Maceió, combinei de ir encontrar com ela lá em Maceió, após o encontro ela sempre vinha passar a noite comigo após seus passeios diurnos pelas varias praias de alagoas, ela ficou mais de 1 semana por lá, ela dormiu varias noites comigo, pertinho do mar vendo as estrelas pela janela, foi quase uma lua de Mel, mas sem o compromisso, e sem os gastos com o casamento. Teve direito até uma micro briga, lembro que discutimos por algo que nem lembro, ela estava na ponta da cama e eu na outra, sem muito clima para acochengo, então ela me deu uma lição: mesmo chateada, ela disse: "E você vai ficar ai distante assim? Temos pouco tempo, vêm me abraçar." Ali eu aprendi que só perdermos com chateações e intrigas bestas, a raiva só tira de nós, e não nos dá nada em troca, e por nada eu quase perco uma noite quentinha ao seu lado. Ainda mantivemos bastante contato depois que ela foi embora.

Ai teve a moça que abalou totalmente meus padrões de beleza até ali, ela era bem gordinha, de uma beleza escultural, como estava hospeda ali, tivemos bastante tempo para conversar, ela era do sul, e estava num ano sabatico, viajando por varios lugares, ela foi a que mais me deixou baleado, mas ela me falou que tinha uma pessoa esperando por ela, para jogar terra no meu fogo.

E por último, para fechar aquele ciclo atipico, cruza meu caminho outra menina gordinha, para reforça ainda mais a beleza das gordinhas, está moça agora contrastando com a anterior, era morena, pele bem preta, e muito bonita também. Depois dela a magia enfraqueceu um pouco e eu não acendi mais velinhas para Iemanja. Preferi continuar nos metodos tradicionais. Se foi mesmo presente de Iemanja, agradeço muito pelas moças que cruzaram meu caminho naquele verão.

Mas, para a coincidência ter sido maior, teria que ter sido 7 meninas.

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