Diario de um ApocalipseАвтор: Ed Angelis
Praia do Francês
Antes de ir a Aracaju, nos meus passeios pelas redondezas de Maceió, eu conheci a cidade de Marechal Deodoro, cidade histórica e vizinha de Maceió; lá tem uma praia muito conhecida, chamada praia do Francês. Quando eu conheci essa praia, foi amor à primeira vista.
Na praia do Francês tinha uma operadora de mergulho, e eu logo fiquei esperançoso na possibilidade de um dia trabalhar; para essa operadora, enviei meu currículo com muito mais carinho e capricho, e disse para mim mesmo que só saía de Alagoas quando eu tivesse a oportunidade de trabalhar lá.
Assim que retornei de minha aventura nas plataformas, fui contatado por essa operadora que ficava na praia do Francês em Marechal Deodoro. A princípio, eles me chamavam para realizar alguns mergulhos esporádicos, levando turistas para ter a experiência do mergulho lá no chamado canal do Francês.
O tipo de mergulho lá era bem diferente dos que eu costumava fazer: lá não necessitávamos pegar embarcação, era um mergulho de praia. Nos equipávamos em terra, caminhávamos 20 metros para dentro do mar com água na cintura, até chegarmos a uma área que não dava mais pé.
Então, eu descia com 1 ou 2 turistas junto a mim, e descíamos até uma profundidade de 10 metros. Como era um canal, tinha bastante correnteza, e muitas vezes era bem exaustivo levar 2 pessoas, mas era muito gratificante sempre. Nunca cansei de mergulhar lá, e os turistas sempre voltavam do fundo do mar radiantes.
Eles foram ganhando confiança no meu trabalho, e passei a ser o mergulhador titular da operadora. Me mudei para a praia do Francês; morava a 5 metros da areia da praia, dormindo ao som das ondas.
Os mergulhos eram bem escassos na baixa temporada, mas, durante a temporada, de dezembro até março, podia fazer de 3 a 5 mergulhos por dia. Depois de dezenas de mergulhos, meu condicionamento e forma física estavam no auge; no fim, devo ter feito facilmente mais de 1000 mergulhos lá.
Conheci pessoas vindas de todos os cantos do país e do mundo, de todas as idades e tipos. Os mergulhos mais gratificantes sempre eram com crianças: elas sempre pareciam aproveitar bem mais que os adultos, e sempre tinham muito entusiasmo e zero medo.
Muitos adultos chegavam muito tensos e apreensivos, e fazer alguém que estava totalmente apavorado perder o medo e conseguir realizar o mergulho era muito gratificante. Houve muitos casos assim, em que as pessoas mal conseguiam pôr a cabeça dentro d'água e já entravam em pânico, mas sempre conseguia acalmá-los, e sempre realizávamos o mergulho.
Mais uma vez eu sabia que estava exatamente onde eu deveria estar; a praia do Francês se tornou não só minha morada, mas minha casa: sempre que passava um tempo fora e retornava, eu tinha aquela sensação de retorno para casa.
Нет комментариев
Комментариев пока нет. Скажите первое слово.