Diario de um ApocalipseАвтор: Ed Angelis
Sonho Astral
Quando morava no interior, trabalhando para meu pai, estava com 19 anos e era a primeira vez que morava sozinho.
Morava no escritório; o ambiente não era muito acolhedor. Além do escritório, havia apenas mais um cômodo, que era onde eu dormia.
Lembro de uma vez ir para a cama um pouco triste, provavelmente pela solidão e pelo ambiente estéril ao meu redor. E nesse dia tive o sonho mais estranho da minha vida. No sonho eu tinha uma sensação de que estava morrendo, de que minha vida estava se esvaindo e aqueles eram meus últimos momentos de existência.
E o que me desesperava era que era tudo escuridão: não tinha luz divina, nem anjos, nem nada, apenas um imenso vazio e escuridão pura. Ficava cada vez mais angustiado e desesperado; era como se naquele momento eu estivesse simplesmente deixando de existir, partindo da existência para a não existência.
Tentei acordar ou me levantar. Eu não sabia ao certo se estava dormindo. Eu tentava levantar, mas simplesmente não conseguia, e minha aflição só crescia. Chegou um ponto onde usei de todas as minhas forças para que eu conseguisse finalmente acordar e me levantar.
Ao me levantar, tudo estava muito escuro. Fui até o interruptor de luz, apertei ele, mas nada aconteceu; subi o interruptor e desci ele, e nada.
Então fui até o outro cômodo; lá também tentei acender a luz, mas também ela não acendia. Fiquei mais uma vez meio aflito. Eu queria alguma luz, já não aguentava mais escuridão por aquele dia; a sensação horrível que tive durante o sono ainda me afligia. Eu só queria um pouco de luz.
Saindo do cômodo, olhei a porta da frente, que era de vidro, e percebi que a luz do dia já entrava por ela timidamente; o dia lá fora já estava começando a clarear. Só de ver aquela luz atravessando a porta de vidro já me encheu de alívio.
Fui até a entrada, abri a porta e fui para a rua. O dia já estava bem claro. Via algumas pessoas na rua, um senhor andando de bicicleta. Finalmente toda agonia que estava sentindo foi embora, e nesse momento foi quando eu realmente acordei de fato na minha cama.
Fiquei um tempo assustado com o realismo daquele sonho. Sentei na cama ainda meio sem entender o que tinha acontecido; nunca havia tido um sonho como aquele. Tudo estava um pouco escuro ainda, mas eu já estava mais tranquilo.
Me levantei e andei devagar até o interruptor da luz, me perguntando se a luz iria acender. Ponho a mão no interruptor, aperto ele, e a luz dessa vez acende. Vou até o outro cômodo e também acendo a luz.
Refaço o mesmo caminho que fiz no sonho, e então vou até a porta da frente, e a luz que entrava por ela tinha a mesma intensidade daquela do meu sonho; também estava amanhecendo.
Vou até a porta, abro ela e saio para a rua, e sinto estar fazendo aquilo pela segunda vez. Não me recordo da fisionomia das pessoas no meu sonho, mas a quantidade de pessoas no meu sonho e agora parece ser bem parecida; também vejo um senhor andando de bicicleta e mais alguns transeuntes.
E depois de refletir um pouco sobre minha experiência, penso que posso ter tido uma experiência extracorporal: ao me levantar no meu sonho, e supostamente estar no mundo astral, e ter tentado acender as luzes, simplesmente não consegui, pois algo não físico não conseguiria movimentar algo físico. E eu posso realmente ter feito o mesmo percurso até a porta da frente e depois pra fora, duas vezes — uma no âmbito astral e outra no físico.
Foi a única explicação que eu consegui chegar.
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