Diario de um ApocalipsePor Ed Angelis
Proposta de trabalho
Eu estava desempregado já fazia mais de 1 ano, estando agora morando no apartamento onde cresci. Eu enviava muitos currículos diariamente, e estava fazendo muitas entrevistas por semana.
Um dia uma empresa entrou em contato pelo WhatsApp, perguntou de onde eu era. Falei onde morava e que eu estava disposto a mudar.
Marcamos um dia para conversarmos por conferência, e no dia da conferência fui pego de surpresa: achei que iria conversar com o RH, mas a primeira entrevista foi direto com o dono e com o gerente de projetos.
Após essa entrevista, o RH marcou outra videoconferência, e agora sim falo com o RH. Ela faz algumas perguntas bem bobas para traçar meu perfil.
Como a primeira entrevista foi logo com o dono, deu para notar que a moça do RH tava meio que só cumprindo um protocolo. Eu não achei que aquela etapa era eliminatória. Dois dias depois, ela me enviou a proposta de trabalho.
Acredito que foi um processo bem rápido para qualquer tipo de vaga, e ainda mais para minha área, onde estou acostumado a processos bem burocráticos, lentos e cheios de testes técnicos e entrevistas técnicas.
Alguma coisa no fundo me dizia para ficar com a orelha em pé. Pensei seriamente em não aceitar a vaga.
No LinkedIn, havia apenas 5 pessoas registradas como funcionários da empresa.
E vi que alguns ex-funcionários tinham deixado avaliações negativas a respeito da empresa em um site que permitia pessoas fazerem comentários anônimos com relação às empresas em que trabalhavam.
O alerta que estava amarelo começou a ficar vermelho.
Mas resolvi pagar para ver, mesmo com aquele receio, mesmo com aquela desconfiança que estava indo para uma arapuca.
Então vim pegar o queijo, mas com muita atenção na ratoeira.
Eu teria que me apresentar à empresa no dia 20, então teria que me mudar já na próxima semana. Consigo uma passagem para o dia 17, na sexta-feira da próxima semana.
No sábado, dia 11-04, vou à casa dos meus pais, pego o carro e vou em casa pegar umas plantas para deixar lá.
Quando volto com as plantas, meu irmão mais novo está lá com sua mulher e filha pequena. Há meses que não os via, apesar de todos os finais de semana ir para casa dos meus pais.
Nos cumprimentamos cordialmente, mas não interagimos muito, não conversamos sobre minha mudança nem nada do tipo.
Brinco um pouco com minha sobrinha. Eles tinham pedido comida há pouco tempo, eles comem e depois vão embora.
Foi bom vê-los. Queria que tudo isso não passasse de uma ilusão da minha cabeça, mas talvez ilusão mesmo fosse a minha de achar que tudo um dia poderia voltar a ser como era antes.
Apoiadores
- Ed Angelis ReaderR$ 5,00
Sem comentários
Nenhum comentário ainda. Diga a primeira coisa.