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De volta ao Francês

Acabada a temporada e retorno para Maceió para tentar retomar a faculdade, aluguei um pequeno apartamento em uma pequena vila na praia de Pajussara. Assim, poderia trabalhar com as fotografias nas piscinas naturais ali perto, enquanto não arrumava nada com mergulho.

Ao chegar nas piscinas naturais para trabalhar, reconheço um dos meninos que já fazia fotografias lá. Ele também trabalhava com mergulho.

Consegui fazer algumas fotos no primeiro dia, mas ao chegar no segundo dia, esse mesmo conhecido vem a mim e diz que eu não poderia mais trabalhar ali.

Discutimos. Digo que irei trabalhar lá sim. Vejo mais duas pessoas se juntando a ele, e ele me ameaça, diz que eu não tinha coragem para voltar lá, que ele iria mostrar quem mandava ali. Saio dali totalmente frustrado.

De repente o mundo me parecia um ambiente muito hostil. Nunca havia vivido essa face do mundo ainda. Me senti como um macaco na floresta brigando por território, sendo rechaçado por outro grupo.

Não estava a fim de comprar nenhuma briga, principalmente porque minha intenção sempre foi que aquilo fosse algo provisório. Decido voltar para a praia do Francês onde trabalhava com mergulho.

Encontrei um local para morar com valor bacana e combinei com a proprietária que retornaria em alguns dias com minhas coisas.

Mas ao retornar no dia combinado ela me diz que não poderá mais me alugar o local, me deixando no meio da rua com minhas coisas, duas malas grandes e uma mochila, e sem local para ir.

Procurei saber, ali por perto, alguma indicação de lugar para ficar. Me indicaram um local próximo à praia e fui até lá.

A localização era perfeita, a 30 metros da praia, em um local bem arborizado e tranquilo.

Encontrei o proprietário, um senhor bem simpático, brincalhão e conversador.

Como seu apartamento foi construído em um terreno da prefeitura, ele estava sofrendo processo de desapropriação, e ele não podia alugar para qualquer um. Por sorte ele simpatizou comigo, e eu ganhei na loteria, pois o apartamento era perfeito e o preço bem abaixo da média do local.

Não havia ninguém realizando o mesmo trabalho de fotografia lá na praia do Francês, provavelmente porque lá as condições não eram tão favoráveis, mas daria para ser feito. Pelo menos não teria obstáculos para trabalhar lá. Minha rotina era fazer fotografias na praia com os turistas pela manhã, e à tarde e à noite estudar.

A rotina estava perfeita, a vizinhança era ótima, estava com o astral lá em cima.

Quando pensei em ir à faculdade, a pandemia estoura e o isolamento é decretado.

A rotina mudou completamente: não tinha mais turistas, ruas vazias, e isolamento total.

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