Diario de um ApocalipseBy Ed Angelis
Mergulho
Minha rotina continuava; ainda estava em busca de um veleiro para embarcar como tripulação.
Um dia, estava no iate clube conversando com um colega velejador, que também era iniciante nesse mundo, quando vejo umas pessoas passando com roupas de mergulho e carregando cilindros de ar comprimido.
Fico observando eles por alguns minutos até eles preparem a embarcação e saiam para alto mar.
Agora que estava praticando mergulho livre, fico imaginando como seria legal mergulhar e ficar lá embaixo por horas.
Me informei por ali, e lá era o ponto de saída de uma operadora de mergulho.
Contatei a operadora para poder fazer um mergulho; em vez de fazer apenas um mergulho, eles me convenceram a fazer o curso básico de mergulho.
O curso era composto por 1 dia de treinamento na piscina, 2 dias de saída no mar, e provas teóricas.
Realizei as provas teóricas e os exercícios na piscina, e estava pronto para minha experiência no mar.
Iríamos enfrentar 1 hora e meia de navegação até o ponto de mergulho. Enfrentamos um mar bem agitado, com ondulações de 2m de altura ou mais — foi uma das piores experiências da minha vida.
Ficava me perguntando se realmente valia a pena; lembrava que eu estava pagando para viver aquele sufoco. Um certo arrependimento me bateu.
Foi tudo muito tenso e caótico. O barco parou no ponto do mergulho; o instrutor mergulha segurando a ponta de uma longa corda que ele vai usar para amarrar a embarcação no fundo do mar.
Enquanto ele está realizando essa tarefa, o barco fica meio que à deriva, e as ondas que antes só atingiam o barco pela frente, quando ele estava em movimento, agora atingem ele por todos os lados, causando um balançar insuportável, o que causa o enjoo imediato.
E é nessas condições que tínhamos de nos equipar e ficar prontos para cair no mar.
Quando o marinheiro avisa que está tudo pronto, temos que pular do barco e nos agarrar a uma corda guia que vai nos levar até o ponto de descida.
Ao pular no oceano, a correnteza muito forte nos carrega velozmente como em um rio feroz, e temos que ter pressa em nos segurar na corda guia.
Caso perdêssemos contato com a corda guia e a correnteza nos levasse, apenas com a ajuda da embarcação conseguiríamos retornar.
Tudo dá certo, e começamos a submergir guiados pela corda que o instrutor de mergulho amarrou lá no fundo, entre as pedras.
Logo nos primeiros metros, o caos da superfície dá lugar à tranquilidade do fundo do oceano; não vejo nada, apenas a imensidão azul, e os outros mergulhadores e suas chaminés de bolhas — o que já é muito bonito.
Os medos implantados em nossa mente pelos filmes começam a aparecer; sempre dou um olhadinha do lado para ver se não está vindo nenhum tubarão me comer.
Até ali não sabia que tubarões só atacam humanos em ambientes muito degradados pelo homem, onde há escassez de comida para eles — ou quando confundem a silhueta do homem na superficie com outra espécie; submerso, então, é o ambiente mais seguro.
A descida continua, e ainda estou na expectativa do que vou encontrar, e de repente outro planeta vai surgindo diante dos meus olhos: uma explosão de vida e de cores.
Ao me aproximar das pedras e dos cardumes de peixes, me sinto um astronauta explorando um planeta distante; é tudo muito surreal e surpreendente.
Principalmente o comportamento calmo dos seres marinhos com relação à nossa presença: eles não nos veem como predadores, todos agem com total indiferença à nossa presença, assim podemos vê-los de muito perto.
Passamos 30 minutos no fundo, voltamos para a embarcação para um intervalo de 1 hora, e descemos para mais 30 minutos de mergulho.
Volto para terra firme em êxtase, me perguntando como nunca tinha tido essa experiência nos meus longos 30 anos de vida.
O instrutor me diz que, caso eu queira fazer mergulhos mais profundos no futuro, eu teria que fazer o curso avançado. Decido continuar com minha formação, para ver se a empolgação iria se manter.
Após algumas provas teóricas e mais 2 saídas de mergulho, eu finalizo o curso avançado; a empolgação com o mergulho continua bastante alta, e me pergunto se virar instrutor de mergulho não seria uma boa opção de carreira. E casaria muito bem com o desejo de velejar pelos mares — como instrutor de mergulho, iria aproveitar muito mais — era o que passava pela minha cabeça.
Mas para isso, só teria um problema: minha conta estava quase zerada novamente.
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