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Diario de um ApocalipseEd Angelis 지음

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O avião decola às 10:50 com uma hora de atraso, e pousa às 14:00 horas em João Pessoa. Meu pai me pega no aeroporto e partimos para Campina Grande.

Mas antes, passamos pela fazenda onde meu irmão menor tem uma casa. Meu pai me convida para passar a noite na fazenda, digo que prefiro ir para casa.

Meu pai hoje vive nessa fazenda, tocando um galpão com 2 mil galinhas, um empreendimento recente que ele foi colocado à frente.

Ele me leva para conhecer o galpão das galinhas, e em seguida vamos à casa do meu irmão, na fazenda, onde meu pai também vive.

Meu irmão está lá com sua família, nos cumprimentamos, brinco um pouco com minha sobrinha.

Ele pergunta se irei dormir lá hoje, digo que não, e logo depois volto a pegar estrada com meu pai.

Durante o percurso, ele ainda pergunta se irei dormir na casa da minha mãe. Eu digo que não, que pretendo dormir em casa.

Chegamos na minha cidade, ele diz que precisa comprar pão.

Ele para em uma padaria, próximo à casa onde minha mãe vive. Eu fico aguardando no carro ele retornar.

Após alguns minutos, ele volta e diz que precisa ir no supermercado, mas que me deixaria na casa da minha mãe primeiro.

Ele encosta o carro à frente da casa e aguarda eu descer. Eu digo que vou retirar minhas coisas, que preciso retirar umas lembrancinhas para minhas sobrinhas.

Ele então diz que vai entrar com o carro. Retiro todas minhas bagagens e ele vai ao supermercado.

Lá na casa da minha mãe, aquela casa que é cheia de câmeras, inclusive no interior, encontro minhas 3 sobrinhas.

Abro a mala para retirar suas lembrancinhas, converso e brinco com elas um pouco. Minha mãe fala que o quarto está pronto, eu falo que não irei dormir lá.

Ela protesta, fala que não tem nada no meu apartamento, que ela trouxe todos os utensílios domésticos. Pergunto por que ela fez isso, ela fala que foi para lavá-los.

Digo para ela juntar eles que irei levá-los.

Assim que meu pai chega do mercado, ele fala para que eu coloque as malas para dentro, e mais uma vez digo que não irei dormir lá.

Ponho minhas coisas no carro novamente e levo-as pro apartamento antigo no centro, e volto com o carro para devolver a meu pai.

Chegando no apartamento só tenho forças para tomar um banho e durmo.

No outro dia, começo a desfazer minhas malas. Ao desfazer minhas malas, noto que não veio uma pasta com todos meus documentos: passaporte, RG, certidão de nascimento, CPF, título de eleitor, entre outros.

Me pergunto como posso ter esquecido. Eu chequei tudo várias vezes para ver se não estava esquecendo nada na casa da minha tia.

E percebo que alguém retirou eles das minhas coisas de propósito.

Como não dormi na fazenda, não dormi na casa da minha mãe, e não deixei meu pai levar minhas coisas quando ele foi ao supermercado, economizei um bocado de energia mental, caso fosse tentar desvendar em que momento eles haviam sido extraviados.

E fica claro que eu nunca pus eles nas minhas coisas enquanto arrumava as malas na casa da minha tia.

E tenho claro na minha mente o momento que pus eles na gaveta que minha tia havia disponibilizado para mim, e até um momento onde abri a pasta para retirar algo e verificar se todos os documentos estavam lá, principalmente o passaporte.

Mas, em algum momento antes de eu começar a arrumar a mala, eles sumiram, e me pergunto como não notei durante a arrumação da mala.

E com que propósito alguém iria fazer isso? Na minha cabeça, apenas para me irritar, causar ansiedade, estresse, para gerar raiva dentro de mim. E eles conseguiram: eu realmente fiquei com muita raiva. Mas percebo rapidamente que não posso me deixar entregar pela raiva, tento entrar em estado meditativo e retornar a mim.

Ligo para minha tia, peço para ela olhar por lá e ver se achava essa pasta. Como falei, seu apartamento tem dois cômodos, não tem como perder algo por lá por muito tempo. Ela diz que olhou tudo e não encontrou nada, então dou meus documentos como perdidos e faço um boletim de ocorrência.

Esse acontecimento foi o que me fez decidir que estava na hora de publicar meus textos, que não dava mais para viver como se nada disso estivesse ocorrendo.

Continuo pedindo que minha tia continue procurando por lá, na torcida que os documentos aparecessem milagrosamente em algum lugar, e eu sabia com 100% de certeza que os documentos haviam sido perdidos lá. Peço para ela olhar em outras gavetas, peço para ela olhar na caixa que havia deixado lá. Eu havia conferido a caixa 2 vezes antes de partir, mas ficava dando alternativas para os documentos aparecerem em algum lugar.

Ela continua sem achar nada. Ela manda mensagem perguntando onde será que eu deixei eles. Eu respondo que só tenho uma certeza: que tinha perdido eles na casa dela, e que estavam na gaveta que ela tinha me disponibilizado. Então ela fala: só se eles caíram para trás do guarda-roupa. Se isso aconteceu, era impossível disso ter acontecido por acidente. Mas, quando ela fala isso, já fico naquela expectativa deles aparecerem milagrosamente lá.

Um dia se passa e, no outro dia, ela me fala que vê algo com detalhes vermelhos por debaixo do guarda-roupa, que pode ser minha pasta. Uma hora depois, ela me confirma que era minha pasta, que estava realmente por dentro do guarda-roupa, como que caída por trás da gaveta.

Não acredito nessa hipótese: ou alguém deliberadamente tirou a pasta das minhas coisas, ou alguém de propósito jogou ela para debaixo do guarda-roupa. Era uma pasta rosa transparente com meus documentos, e várias pastas de papel de uns exames que eu havia feito. Era bastante coisa e impossível de terem ido parar lá sozinhas.

Minha tia me pergunta como eu posso não ter notado a falta de tudo aquilo, na hora de arrumar a mala. Eu também me pergunto a mesma coisa, principalmente tão importante quanto eram, como deixei passar tudo aquilo na hora da arrumação das minhas malas?

Foi um apagão total. Mas uma certeza eu tenho: foi melhor desse jeito. Imagina se eu noto a falta da documentação 1 dia antes da minha viagem, na hora que estou arrumando minhas malas. A frustração que tive quando notei a falta deles aqui seria tão forte quanto. Na noite antes da viagem, provavelmente iria passar a noite em claro sem conseguir dormir, ou dormindo muito pouco.

Aí lá vou eu enfrentar aeroporto, avião lotado, estressado e cansado. Iria chegar de viagem acabado, e totalmente à mercê, guarda baixa e suscetível a mais estresse. A imunidade iria ficar lá embaixo e o corpo totalmente desequilibrado. Penso logo se esse não era realmente o plano inicial, que foi por água abaixo apenas pelo simples detalhe de eu ter tido o apagão e não ter lembrado dos documentos antes de viajar.

Só escrevendo isso e relendo, me dou realmente conta do absurdo que estou vivendo. É difícil aceitar que minha própria família esteja usando de tais meios para tentar me adoecer. A troco de quê? Que ideologia é essa que estão vivendo, que realidade é essa?

Pensar sobre tudo isso me deixa triste e um pouco doente. Preciso entrar em estado meditativo novamente, e elevar a mente a um estado acima de tudo isso. Não posso deixar os sentimentos me levarem, não posso deixar as iniquidades desse mundo me abaterem. Quando deixo todo sentimento ruim passar, eu não sinto raiva deles. Tenho, acima de tudo, um sentimento de compaixão de que eles um dia consigam enxergar a Deus.

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