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Trabalho de verão

Aguardei as festas de final de ano novamente, e logo após a virada do ano para 2020 eu parti. Mesmo sem receber nenhum retorno das operadoras, fui confiante de que iria arrumar trabalho. A intenção era trabalhar em Porto de Galinhas nesse verão e depois retornar para continuar a faculdade.

Cheguei e a cidade estava abarrotada de gente, congestionamento e muitas pessoas nas ruas. Cheguei sem lugar certo para ficar. Consegui um lugar perguntando a locais e comerciantes.

Já estabelecido, agora era hora de conseguir trabalho. Notei o endereço de todas as operadoras e fui bater a porta uma a uma para me apresentar. Ficavam todas bem próximas uma das outras, no mesmo dia passei por todas. À noite, uma delas me retorna e me diz para eu retornar no outro dia.

No outro dia, conversando com o dono da operadora, rapidamente fechamos um valor. Era um valor por mergulho bem inferior ao valor que eu ganhava antes, mas o perfil do mergulho era bem diferente.

A grande parte dos mergulhos é feita nas piscinas naturais que ficam bem próximo à praia, mas não tão próximo que dê para ir andando. Os mergulhos partiam de uma balsa que ficava ancorada a uns 100 metros da costa.

No dia da operação iam primeiro os instrutores para preparar o equipamento e aguardar a chegada dos turistas na balsa. Recebíamos uma média de 20 turistas por dia. Cada instrutor mergulhava com um ou 2 turistas de cada vez para um mergulho de 20 min em média. Tínhamos uma janela de mais ou menos 4 horas para realizar todos os mergulhos.

Nesta operadora, além de mim tinha mais 1 instrutor. O ritmo era muito frenético e exigia muito mais do condicionamento físico que antes.

Eu estava muito feliz de voltar a mergulhar e estar tendo uma renda novamente. O trabalho era muito braçal, mas isso iria me manter em forma, pensava.

Mas o que começou a me preocupar foi a qualidade do ar colocado nos cilindros. A fadiga estava ficando maior a cada dia e fui conversar com o dono para renegociarmos o valor dos mergulhos. Não chegamos a um acordo e eu parei de realizar os mergulhos.

Ainda restava 1 mês para o fim da temporada e a data que tinha estabelecido para retornar a tempo de começar o semestre na faculdade. Vi algumas pessoas fazendo fotos dos turistas com os peixinhos nas piscinas naturais próximo à praia. Comprei o equipamento de fotografia subaquática pela internet e fui tentar realizar o mesmo serviço.

Tive que trabalhar bastante minha timidez na hora de oferecer o serviço aos turistas, mas não tive trabalho para conseguir meus primeiros clientes.

Logo um fotógrafo que já fazia o serviço veio me alertar, dizendo que eu não tinha autorização e que os fiscais iriam tomar meu equipamento. Não sei exatamente se foi um tom de ameaça ou realmente um alerta camarada.

Falei que só estaria ali por mais 3 semanas. Continuei oferecendo o serviço, mas agora de forma mais discreta.

Era um trabalho bem divertido e fácil, bem menos desgastante que no mergulho, e estava ganhando mais como fotógrafo do que como mergulhador, mas ainda sentia falta de mergulhar.


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